
PL e Bolsonaro definitivamente não são de direita. Vou dizer mais: o PT também não é de esquerda. Estou falando aqui do exercício concreto do poder — que, convenhamos, é o que vale — e não da militância performática de rede social.
Ambas as facções – facções políticas, é claro, longe de mim sugerir outro tipo! – quando efetivamente exercem o poder, obedecem aos interesses das oligarquias mais corruptas do país e atendem com devoção aos grupos de interesse mais mesquinhos da nação. Rezam, todos, a missa ditada pelo centrão e por algumas poucas famílias que “destilam” seu poder entre Brasília e alguns governos estaduais Brasil agora.
Quando não é isso, as duas facções atuam juntinhas para atender aos próprios interesses individuais — sejamos claros: escapar da cadeia, colocar mais dinheiro no bolso ou, idealmente, as duas coisas ao mesmo tempo.
Quer uma prova?
Os “comunistas radicais” do PT e os “ultraconservadores patriotas” do PL votam juntos em centenas de pautas no Congresso.
Vou falar de apenas duas — na minha visão, as mais importantes de todas.
Primeiro elegeram juntos os presidentes da Câmara e depois abraçados elegeram também o presidente do Senado. Sim, juntos. Elegeram os dois parlamentares mais poderosos da República. Uma dica para quem ainda acredita em guerra ideológica: são esses dois cargos que decidem o que será ou não votado pelo Congresso.
Outra dica, ainda mais incômoda: é o presidente do Senado quem pode pautar impeachment de ministro do Supremo Tribunal Federal.
Aqui vale a dica para quem acha que papel de parlamentar em exercício é fazer caminhada e protesto. Não é! Parlamentar eleito tem que articular politicamente a proposição e votação das pautas importantes para seus eleitores – inclusive escolhendo melhor os presidentes da Câmara e do Senado. Mas aí dá muuuuuito trabalho, né?
Enquanto isso, o baixo clero da sociedade — o cidadão comum — vive se digladiando em redes sociais, rompendo amizades, brigando em grupos de família e criando facções imaginárias, como se estivesse numa guerra santa.
Às vezes, realmente parece que não vivemos numa democracia.
Parece que vivemos num país sabooooor democracia.